quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Papo F!losóf!co

Narda Teles*

A BOMBA ATÔMICA DA COMUNICAÇÃO CONTEMPORÂNEA

A comunicação contemporânea é uma bomba atômica, principalmente no Brasil, pois como em Hiroshima e Nagashaki ela esfacelou até as vísceras dos indivíduos. Faz isso todos os dias quando ligamos a TV, o rádio, a internet, entre outros. É uma guerra de difícil defesa, visto que a humanidade tem diante de si, a mais poderosa de todas as armas utilizadas pelo homem nos campos de batalha da história. Aquela que sem aparente dor ou ferimento destrói em prol do mais desmedido desejo humano; o poder.

Afinal, que poder tem o homem sobre os outros homens? O poder de ter, de manipular, de falsear e de esconder informações? Aristóteles diria: o de influenciar. E as mídias são os meios mais eficazes de realizar tal empreitada. Utilizada pela minoria que está no comando, ela prega como uma religião em expansão, a ideologia da classe dominante: matar o tempo. Para isso, todos os dias milhares de pessoas são expostas a radiação das programações de entretenimento; com olhos fixos no bummm brilhante dos aparelhos televisivos; elas passam a hora, o mês, o ano, a época, a idade, a estação..... a vida. O terrível desta atitude humana frente à mídia é que o indivíduo mata o seu tempo e não o vive.

 Morremos um pouco diariamente, em casa, diante do disparo cintilante de uma programação que extingue a vida; disseminando um imensurável pensamento rarefeito e hipócrita entre a humanidade. É assim que os poderosos desejam que nos tornemos: inteiramente vazios.  Uma arma que extingue algo tão precioso para o homem é perigosa demais para ficar nas mãos de poucos, principalmente dos sistemas manipuladores de padrões, que influenciam a consciência humana com ideologias suicidas; tornando-nos passivos, obedientes e burros. Parece uma contradição; o animal mais inteligente do planeta parou de raciocinar; justamente a característica que o diferencia dos outros animais.

E agora, o que é então o homem? Para Descartes só existimos por que pensamos, somos “uma substância pensante”. Se não penso não existo, eis aqui o ponto alvo desta bomba: aniquilar o pensamento. De forma sutil, subjetivamente, tornou pessoas em seres inexistentes. Simplesmente tirou o povo da rua, das praças, da alegria, da vida, para pô-los diante de um aparelho de TV onde absorvem apelações sexuais, brincadeiras fabricadas para ocupar a mente, influências a um consumismo desenfreado etc. O absurdo desta situação está no fato de que a maioria acredita que tudo isso é divertido, é normal e interessante; o que nos mostra o grau de inconsciência do homem contemporâneo perante os meios de comunicação. Sendo assim, nada ganhamos, apenas perdemos.   

Perdemos a essencialidade, o diálogo, a crítica e a liberdade. Estamos sendo cooptados pelo sistema, pelo poder. Como numa guerra, estamos em estado pútrido; não nosso corpo, mas sim nossa alma. Aceitamos um modelo de extrema e intragável superficialidade, que torna o ser em nada e mata os pensamentos libertários. O homem criou um homem que tudo lê, tudo ouve, tudo vê e nada sabe.

“Que quimera é então o homem, que novidade, que monstro. Juiz de todas as coisas, glória e escória do universo”. (Pascal)

Porém, a história tem nos mostrado que o homem não é enganado para sempre.

*Atriz, professora de Filosofia e diretora de teatro 

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