segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Rwanda

Supremacia racial. Esse é o fator central que sustenta o conflito entre Hutus e Tutsi, exposto no filme Hotel Rwanda. A guerra e a tentativa de extinção dos Tutsi, por parte dos Hutus, é motivada pela disputa étnica presente na região africana.
No filme, o gerente do Hotel, Paul, é um Hutu casado com uma Tutsi. Ele trabalha para um estrangeiro belga. Nesses três personagens está sintetizado o conflito racial da região e, conseqüentemente, do filme. Paul é africano, mas foi levado a acreditar ser diferente dos demais. Quando o conflito se intensifica ele compreende que fora ludibriado e que também era parte do conflito.

Dentre as várias questões que o filme suscita, sem dúvidas, uma refere-se ao conceito de etnia e identidade. O que se questiona primeiro, é como esse conceito é forjado. Os Tutsi e Hutus viviam harmonicamente. Estiveram sob o domínio da Alemanha e depois da Bélgica.
Os belgas fizeram a diferenciação étnica entre os dois povos. Para eles, os Tutsi, mais altos, nariz alinhado, etc., podiam gozar de alguns benefícios como o acesso à escola e a alguns cargos públicos, enquanto que os Hutus, por terem a pele mais negra, serem mais baixos e etc., eram cerceados de alguns direitos.
Essa opressão aos Hutus, imposta pela colonização Bélgica, impulsiona um conflito interno entre Hutus e Tutsi. Os povos que, até então viviam harmonicamente, passam a disputar o domínio local encontrando na guerra a única maneira de atingir os objetivos.
E se exterminar os Tutsi era um caminho para o poder e a supremacia racial, esse objetivo quase foi alcançado pelos Hutus. Em 1998, a população de Rwanda era composta por 90% de Hutus e 9% de Tutsi.
A colonização belga, ao diferenciar os Hutus dos Tutsis, modificou um conjunto de sistemas simbólicos que permeavam aquelas sociedades ocasionando uma serie de mudanças na estrutura social deles o que gerou uma mudança de posicionamento diante da disparidade cultural dos povos africanos.

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