domingo, 6 de abril de 2008

O Cavaleiro das Trevas

Um dos embates mais emocionantes do cinema mundial está de volta. Batman e Coringa se enfrentam em “Batman, O cavaleiro das trevas”, direção de Cristopher Nolan com estréia prevista para Julho.
Na nova aventura, o homem-morcego combate o crime organizado na obscura Gotham City enfrentando o vilão Coringa que provoca uma série de atentados terroristas na cidade.

Título: Batman, o cavaleiro das trevasElenco: Cristian Bale (Batman), Heath Leadger (Coringa), Gary Oldman (Jim Gordon).

Sinais

O filme “Sinais” de M. Night é uma metáfora sobre a questão da fé humana. No filme, Graham, um padre, questiona a fé e a existência de Deus. Isto acontece devido à morte repentina da esposa, atropelada durante a noite por um motorista que dormia ao volante. A motivação intrínseca da personagem é a comprovação da existência de forças supremas que nos regem, a certeza de que não estamos sós. Graham, assim como os demais personagens de “Sinais”, buscam por sinais que alimentem a fé deles.
A princípio, a idéia que temos sobre o enredo do filme é de que se trata de uma história de ficção científica sobre extraterrestres. No entanto, os extraterrestres apenas auxiliam a narrativa colaborando para a compreensão da mensagem do filme.

A crença na existência de seres sobrenaturais é verídica e suscita o debate a respeito da origem humana, da razão da vida e do fato de estarmos sozinhos ou não no universo. Ou seja, o roteirista de “Sinais” não se equivocou ao introduzir ET’S no filme, pois eles completam a metáfora sobre a fé.

Night se inspirou em fatos verídicos ocorridos nos anos 80: os círculos nas plantações de trigo surgidas em várias partes do mundo. Houve várias especulações sobre estes círculos. Algumas pessoas acreditavam que o acontecimento era uma grande piada feita por alguém objetivando chamar atenção, mas outras pessoas viam aqueles círculos como um sinal do espaço sideral. Ele resolveu adaptar os círculos aos milharais porque os pés de milho são mais difíceis de dobrar, sobretudo de serem achatados. Além disso, os círculos nos milharais tornariam mais provável a hipótese de que seres sobrenaturais os tivessem feito.

Na concepção de suspense do filme, Night se inspira na narrativa Hitchcockiana, principalmente no filme “Os Pássaros” onde toda a trama e o desfecho estão centralizados numa casa. “Não preciso mostrar ao público o que os assusta, é melhor que o susto seja uma realização da mente do espectador” disse Night nos extras do DVD de “Sinais”.

A trilha sonora corrobora com a criação do universo do filme, com a idéia de jornada pela qual o personagem passa. Não é uma trilha vazia, deslocada, e sim integrada a trama conduzindo o espectador às emoções do filme. A trilha sonora é importante, mas para Night o filme deve existir sem a música. O existir referido por Night significa que as cenas devem ter a emoção original e não a emoção forjada pela música.

“Sinais” propõe que o público vivencie, junto com os personagens, a experiência de estar naquela casa no dia em que, hipoteticamente, a Terra foi invadida por seres desconhecidos. É um filme que tem algo realmente importante a falar e que felizmente conseguiu transmitir sua mensagem.

Título: Sinais (Signs)
EUA, 2002
Elenco: Mel Gibson, Rory Culkin, Abigail Breslin, Joaquin Phoenix, Patricia Kalember, M. Night Shyamalan.

Campeãs de audiência

Em Dezembro de 1951 entrava no ar “Sua Vida me pertence”, de Walter Foster, a primeira telenovela brasileira. De lá pra cá, o gênero se modificou bastante e as novelas se tornaram o produto de maior audiência e faturamento da TV no Brasil.
Conheça agora as tramas de maior audiência nesse meio século de história.

1º)

Dias Gomes (1985)

O maior sucesso da teledramaturgia brasileira atingiu 78 pontos de média no Rio de Janeiro e 74 em São Paulo. O último capítulo teria atingido 100% de audiência, segundo reportagens da época.

2º)

Janete Clair (1974)

Janete Clair foi a autora mais bem sucedida da história da teledramaturgia brasileira emplacando sucessos como "Véu de Noiva" (1969); "Irmãos Coragem" (1970); Selva de Pedra (1972), "Pecado Capital" (1975) e "O Astro" (1977). "Fogo Sobre Terra" atingiu 74 pontos de média no Rio de Janeiro.

2º)

Janete Clair (1986)

Remake do clássico homônimo da década de 70, essa versão foi protagonizada por Fernanda Torres, Cristiane Torloni e Tony Ramos. Sucedendo o fenômeno "Roque Santeiro", sendo escrita também por Dias Gomes que homenageava a esposa Janete Clair, falecida em 1983. Essa versão atingiu 61 pontos em São Paulo. Segundo informações da Rede Globo, a versão de 1972 com Regina Duarte, Francisco Cuoco e Dinah Sfat teria marcado 100% de audiência no último capítulo.

3º)

Janete Clair (1979)

É a terceira novela mais assistida tanto no Rio quanto em São Paulo. No Rio de Janeiro marcou média de 73 pontos, em São Paulo 61.

Essas informações foram extraídas do livro "Telenovela: História e Produção". Escrito por Renata Ortiz, Silvia Helena Simoes e José Mario Ortiz.

TU NUNCA SERÁS LIVERPOOL

Por Tabajara Moreno

Banhar-se nas águas da chuva é uma ótima recordação que tenho da infância. À época, a iminência de um temporal era motivo para comemorações, pois era um momento para brincar com os amigos. O tempo passou, não tenho mais tantos amigos; não me divirto tanto; e faz muito tempo que não tomo banho de chuva, principalmente porque não sou mais tão receptivo a ela.
Outro dia, depois de mais uma intensa noite de temporal, quando estava a caminho da faculdade, deparei-me com o estrago proporcionado pela chuva. Do ônibus avistei uma casa que fora arrastada pela violência das águas. Claro, não era um acontecimento inédito, principalmente se se considerar o histórico de desabamentos e catástrofes geradas pela chuva na cidade, exibidas na televisão.
Entretanto, o que estava diante de mim não era um espetáculo televisivo e sim uma realidade social. Minha percepção do fato não estava emoldurada pela linguagem dos meios de comunicação. A casa destruída no leito do igarapé, móveis, brinquedos, uma infinidade de objetos que pertenciam aos moradores do casebre, constituíram uma cena lamentável que me proporcionou momentos de angústia pela situação de tais famílias e questionamento quanto aos rumos da cidade quanto a questão ambiental.
Diante de tamanha tragédia humana parece frio pensar no aspecto ambiental do fato, mas minha percepção dos acontecimentos não é fria e sim racional. Partilho da crença de que a racionalidade revela aquilo que buscamos.
O crescimento e a falta de planejamento urbano proporcionam estas situações onde cidadãos, por hábito cultural ou ausência de melhores oportunidades de moradia, residem as margens de igarapés pondo em risco suas vidas.
Na cultura amazônica, o ribeirinho é uma figura presente. Entretanto, com o processo de urbanização da região, o ribeirinho encontra-se deslocado no espaço físico da cidade. Não há mais condições seguras que permitam sua residência nas proximidades dos igarapés. A poluição dos igarapés é prejudicial a saúde do ribeirinho à medida que as águas são redutos de doenças, e ao mesmo tempo, é um risco para a sua segurança, quando a violência das águas arrasta tudo o que vê pela frente.
Manaus é uma cidade em desenvolvimento. E este desenvolvimento precisa ser controlado e planejado priorizando a questão ambiental. Não somente porque ela tem se tornado pauta dos jornais e governos, ditos comprometido com estas causas, mas porque vivemos numa região marcada pela pluralidade ambiental. Temos o dever de manter esta biodiversidade.
Não se trata de hostilizar São Pedro, mas de repensar nossa organização física no meio ambiente do qual não somos proprietários e sim inquilinos. A reestruturação organizacional da cidade não deve primar pela supressão do ambiente natural dos arredores dos igarapés e sim o contrário. Não defendo a urbanização dos igarapés, pois eles não são urbanos, são essencialmente naturais, e essa essência deve ser preservada.
É ocasião de se criar uma legislação ambiental que delimite uma área de preservação ambiental em torno do igarapé. É momento de se pensar que os igarapés não são problemas a uma cidade urbanizada, mas sim uma perspectiva.
Pensem comigo, os inúmeros igarapés da cidade estão em estágio avançado de poluição, recuperar efetivamente estes locais não é barato. Mas da maneira como estão fazendo, estão gastando dinheiro de maneira inadequada, pois o essencial não estão pensando: a criação de uma rede de esgotos na cidade.
Os igarapés não são esgotos, ou pelo menos não devem ser, são igarapés. Local de recreação, sociabilidade, turismo. Esta deve ser a visão dos investidores. Uma cidade entrecortada por igarapés, que poderiam ser balneários, pontos turísticos, se vê preocupada com o que fazer com esses igarapés, é ridículo.
Estamos negando os igarapés, como negamos o rio, para o qual estamos de costa. Tomemos cuidado para que eles não nos neguem.

sábado, 5 de abril de 2008

Trilogia Murphy


Por Luiz Guilherme


O Professor Aloprado (1996) é um dos filmes mais engraçados do século XX, não apenas pela originalidade (na época), mas pelo fato do humorista Eddie Murphy interpretar nada mais nada menos que sete personagens diferentes entre si – Sherman Klump, o protagonista, e todos os membros da família dele - graças a uma boa e avançada maquiagem, e o talento de Murphy, é claro. O problema é que filmes com esse tipo de técnica virou moda e por isso surgiram muitas fitas explorando essa diversidade de personagens através da maquiagem como Vovó... Zona (2000) e As Branquelas (2005), só para citar exemplos recentes. Outra herança deixada pela família Klump foram as trapalhadas e vexames protagonizados por personagens obesos, daí vieram filmes como O Amor é Cego (2002).
Depois de O Professor Aloprado 2 – A Família Klump (2000) - o filme que focou mais os integrantes da família Klump do que o próprio protagonista – Eddie Murphy resolveu voltar às origens e retornar á sala de maquiagem para incorporar três personagens no seu mais recente filme de comédia, Norbit (2007).
Norbit (Eddie Murphy) - o personagem-título – um homem reprimido, tímido e de bom coração, foi abandonado na porta do orfanato - restaurante do Sr. Wong (Murphy), um ancião chinês esclerosado. Ele vive no orfanato junto com sua alma gêmea Kate – uma amiga que ele não se separa nem na hora de fazer as necessidades. Quando Kate é adotada, Norbit, muito triste, passa a brincar sozinho. Certo dia, quando estava brincando no parque, dois meninos valentões começam a bater nele, quando aparece Rasputia (ainda criança, mas a versão adulta é interpretada novamente por Eddie Murphy) uma menina enorme que o defende e, pelo temor que as outras crianças sentiam por ela, torna-o popular. Em troca, Norbit namora Rasputia e depois de alguns anos casa-se com ela. Ela é uma esposa dominadora e junto com os irmãos, três marginais que exploram os comerciantes da região em troca de proteção, humilham de todas as formas o indefeso Norbit. Quando o casamento entra em crise – por causa da traição de Rasputia com o seu professor de dança – a jovem Kate (Thandie Newton) retorna à cidade para comprar o orfanato do Sr.Wong que está prestes a se aposentar, despertando assim o amor, interrompido na infância, de Norbit, mas ele tem duas grandes lutas: se livrar da monstruosa Rasputia e do noivo cafajeste de Kate interpretado por Cuba Gooding Jr. (apagado no filme) que juntamente com os três irmãos de Rasputia quer transformar o orfanato em uma casa de stripetease.
Depois de ganhar um Globo de Ouro e por ter sido indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação em Dreamgirls – Em busca de um sonho (2006), Eddie Murphy resolve neste novo filme voltar aquele humor que o lançou e que só ele sabe fazer: piadas com o auxílio de caras e bocas, vozes gritantes, frases ditas com rapidez, quase todas movimentando o dedo. Sim, voltamos a ver aquele Murphy dos anos 80 e em certos momentos chegamos a lembrar de filmes como Um Tira da Pesada (1984) e Um Príncipe em Nova York (1988).
Em Norbit ele utiliza praticamente os mesmos artifícios dos dois filmes do Professor Aloprado; aliás, como não teve o terceiro filme protagonizado pela família Klump, pode-se considerar Norbit como o terceiro da trilogia Murphy por utilizar vários personagens maquiados e interpretados por um ator do tipo: protagonistas reprimidos que conseguem conquistar a platéia e personagens obesos e caricatos. É neste último quesito que mora o maior problema, porque nos últimos anos os filmes humorísticos norte-americano têm explorado muito os personagens obesos. É uma fórmula que um dia fez sucesso, porém hoje já se tornou cansativa e fracassada, e as piadas são ofensivas e preconceituosas com os gordinhos. Norbit cai nessa armadilha e praticamente todo o filme é focado em destacar a gordura de Rasputia mostrando ela dançando, tomando banho, lavando o carro sempre, é claro, acompanhado de muito exagero, criando assim um estereótipo de que pessoas gordas são exageradas em tudo que fazem.
Eddie Murphy mostra mais uma vez que tem talento, mas o roteiro não colabora e o filme perde o ritmo antes mesmo da metade e, a partir daí, começa a apelar com piadas sobre necessidades fisiológicas (mais conhecidas como piadas de banheiro) e muito duplo sentido que conseguem arrancar do bom espectador apenas um sorrisinho amarelo. Por pouco o filme não cai na baixaria de vez e se iguala aos filmes da franquia Todo Mundo em Pânico.
Além de apelar para certos tipos de piadas, o roteiro fraco leva o filme a trilhar o caminho de clichês já, bastante, manjados como aquele mergulho dado por Rasputia que seca a piscina e tantos outros. Até um cachorro falante é usado para tentar arrancar risos, porém no meio de tantos clichês o que mais se destaca na parte final do filme é o animado coral da Igreja. Enfim, em Norbit houve escassez de criatividade e a maioria das cenas nos dá aquela sensação de “eu já vi isso em algum lugar”.
O filme não é uma obra-prima, contudo para os fãs de Eddie Murphy é uma boa pedida. Agora, para aqueles que gostam de humor inteligente e criativo, este filme não é aconselhável.

Nota: Essa resenha foi escrita ano passado, quando Norbit ainda estava em cartaz nos cinemas e à venda em cópias priratas nos melhores camelôs do Centro da cidade.
O filme já chegou em DVD há muito tempo e Eddie Murphy recebeu, no começo do ano, o prêmio Framboesa de Ouro (que premia todos os fracassos de Hollywood) por sua atuação em Norbit.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Chargista amazonense é homenageado no Espaço Cultural Ziraldo

O Espaço Cultural Ziraldo Alves Pinto, fundado pelo cartunista e jornalista Jackson Taveira, conhecido como Jack Cartoon, apresenta até o dia 12 de abril uma exposição com obras do chargista João Miranda, pioneiro da charge no Amazonas. Essa é a quarta homenagem ao chargista falecido em 2003 ( a primeira foi quando ele ainda estava vivo em 1996).
As charges de João Miranda retratam situações do cotidiano brasileiro em períodos como o governo do presidente Juscelino Kubitscheck, a ditadura militar, a redemocratização do país, assim como outros marcos da história brasileira e amazonense.
“Falar de Miranda é falar um pouco da minha infância. Fui jornaleiro e a primeira coisa que fazia era ler a charge do Miranda. Eu achava um barato”, disse Jack, ao relembrar a influência do cartunista para a sua carreira.
João Miranda trabalhou 47 anos no jornal "A Crítica", onde tinha a seção especial “A Charge do Miranda”.
A exposição acontece de segunda a sexta das 9 às 17 horas no Espaço Cultural Ziraldo Alves Pinto, localizado na Rua 24 de maio, centro, onde também funciona a Escola Oficina de Artes Jack’s Cartoon.

terça-feira, 1 de abril de 2008

O Cão Infiel


Ilustração: Alexkoti.com

Ele chegou faceiro, encolhido pelos cantos da casa. Era o cachorro que a minha tia pegara para criar, contrariando assim a decisão de vovó, que um dia declarou nunca mais querer saber de cachorro em casa. Fez essa promessa para si mesma desde que o seu velho vira-lata bateu as patas.
O poodle, de pêlos branco e fisicamente pequeno, logo conquistou-nos a simpatia, quer dizer, alguns parentes demoraram a aceitá-lo na família, mas logo o sem-vergonha roubou o coração destes também.
Era um cãozinho agreste. Não podíamos fazer um carinho que ele retribuía com uma bela mordida em nossas mãos. Adorava morder, principalmente calcanhar. Adorava também correr pra lá e pra cá, uma corrida maluca acompanhada de pulos frenéticos em cima do sofá, da cama, da roupa limpa, em cima do vovô, que detestava, mas logo se acostumou com as atitudes levianas do cãozinho, enfim, corria sem rumo que nem barata tonta do inseticida.
Tratado como filho, tinha casa, comida e tosa. Tudo como um bom cachorro gosta e todo vira-lata sonha. Mas no fundo, no fundo, ele tinha uma natureza malandra. Seu dom era ser cachorro de rua e não de madame. Por causa disso, não podíamos nos descuidar do portão, se o deixássemos aberto, o lado vadio do cãozinho aflorava e ele corria para a rua em busca de uma liberdade selvagem. Suas fugas foram frustradas pelo menos umas três vezes. Uma pelo meu tio, outro pelo meu primo e a última por um motoqueiro que por bondade ajudou meu primo, pesado e ofegante, que já perdia a esperança em capturá-lo.
Ninguém podia negar que o animal era veloz, esperto e driblava, com muita habilidade, carro, moto e gente. Por isso, minha tia, já desesperada em perdê-lo de vez para a rua, tomou medidas rígidas de segurança e o cãozinho passou um longo tempo sem ao menos sonhar com a liberdade, sem direito a banho de sol e muito menos a visitas íntimas.
Os dias passaram e tudo indicava que ele havia desistido de seu devaneio. Por isso, pelo bom comportamento do prisioneiro, o castigo foi suavizado e ele conquistou o direito de passar boa parte do dia solto, dentro de casa, é claro, pois do portão ninguém descuidava e quem escancarasse estava sujeito a uma severa admoestação de minha tia.
Como todo bom malandro, ele apenas deixou a poeira baixar para uma nova tentativa.
Dito e feito. Em uma atitude sagaz, ele sossegou numa tarde quente. O sossego foi tanto, que até esqueceram do prisioneiro, que observava do seu cantinho o movimento dos humanos, agitados com o calor. Não demorou muito e abriram o portão para ver se entrava um ventinho, pois até meus parentes já se sentiam prisioneiros. Era a oportunidade única que o patife não desperdiçou e não hesitou em correr em busca de sua independência, deixando para trás o conforto, as correntes e os gritos de “Pega! Pega!”.
Os parentes adultos correram atrás e logo desistiram nos primeiros metros diante de tamanha agilidade. Sobrou para a molecada da família e da rua, naturalmente cheia de fôlego, perseguir o vadio que corria sem parar pelas ruas, calçadas e quarteirões, driblando até sua própria sombra, afinal era a fuga de sua vida e não poderia falhar desta vez, em hipótese alguma.
Sua persistência valeu a pena, pois um por um os meninos foram desistindo pelo caminho. Restou apenas um, que resistiu por algum tempo e logo deu o último suspiro, parou e apenas assistiu o poodle sumir de vista, guiado pela sua insaciável vadiagem.
O cãozinho não somente fugiu, mas quebrou tabu e derrubou teorias.

Escrito por Luiz Guilherme em 14/05/2007